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Aos participantes do II Fórum Social pelas Aprendizagens (2007), algumas linhas para ajudar a pensar o tema da educação e do amor, as quais vos envio como testemunho do meu amor pela educação.
O que é educar?
Fazer do outro nosso semelhante. Ensinar é exercer o desejo reprodução na sua forma mais radical, pois carente de inscrições instintivas, o ser humano só chega a ser ele próprio através da aprendizagem.
Para fazer do outro um semelhante, é necessário antes amar a si próprio. Pois o direito a transmitir vem da valorização por aquilo que somos. Mas se esse amor por nós mesmos for pessoal, egocêntrico, narcisista, a transmissão alienaria o sujeito em formação, o transformaria numa imagem.
O amor que permite educar, é o amor pelo que se é, mas somente na medida em que cada um de nós é depositário de uma cultura comum a um grupo e mais além ainda dessa cultura particular, das conquistas próprias ao ser humano em geral.
Não se pode ensinar verdadeiramente a matemática ou ler e escrever, sem sentir profundamente a grandeza sublime do pensamento inteligente, capaz de ter elaborado tais maravilhas. Ensinar a contar e a escrever é muito bom, mas transmitir ao mesmo tempo o valor humano destas conquistas que necessitaram milhões de anos de evolução para se concretizar, é formar um sujeito que não sendo ele mesmo um gigante, está sentado nas costas de um gigante e vê cada vez mais longe.
A generosidade da doação supõe paralelamente o amor pelo outro e a crença em sua possibilidade de interar esse dom. Não se trata aqui então de um amor caridoso porque o ensinar não é um “favor” que fazemos a aquele que não sabe, é um amor de reciprocidade no qual receber justifica plenamente o prazer de oferecer.
Para ensinar é preciso amar, em primeiro lugar o ser humano e a todas as suas capacidades de produzir cultura, amar o aprendiz como depositário da continuidade e da transformação dessa cultura, e amar-se a si mesmo como capaz de aprender e de seguir aprendendo para assegurar essa transmissão: Amar é uma condição indispensável para que esse ato sublime da transmissão do conhecimento se realize apaixonadamente na militância pedagógica.
Esqueci de um amor muito importante para poder ensinar: o amor que a comunidade deve demonstrar ao professor e que se traduz no reconhecimento das instituições por seu trabalho. Além dele é necessário o amor que traduz pela ajuda dos colegas, pelo agradecimento dos pais e pelo carinho dos alunos.
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