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Entrevista

O TEMPO E A APRENDIZAGEM" :
Diga Lá n. 11 (revista do SENAC) nov/dez-99
Maria Luiza Leão conversa com Atenéia Feijó

Qual a importância do tempo para a aprendizagem?
Refletir sobre o tempo nos faz voltar às primeiras questões, às questões primordiais relativas à aprendizagem e à construção dos conhecimentos, questões muito importantes para quem vive neste mundo tão transformado. Na nossa metodologia de trabalho, dentro de uma abordagem existencial de psicopedagogia, é fundamental questionar os conteúdos. Refletir sobre como eles surgiram, sobre a lógica da construção de cada conhecimento, num tempo, numa determinada cultura. Porque cada cultura tem sua forma de produzir seus conteúdos. Vamos tomar o exemplo do mapa múndi. Por que a Europa está lá no centrão? Porque foram os cartógrafos europeus que criaram essa representação, não é? Por que a Argentina está quase de cabeça para baixo? Por que os pólos ficam embaixo e em cima? Não podiam estar na frente? Porque é tudo uma questão da cultura dominante, que impõe seus conteúdos, suas representações e a gente, simplesmente, tem pouca consciência disso, isto é, de qual é a história dos nossos conhecimentos, de onde eles vieram.
O mesmo acontece com o tempo cronológico, que também é um conceito arbitrado pela cultura dominante. Tanto que os calendários não coincidem. O cristão ( atualmente o dominante ) é diferente de alguns orientais, do judaico etc.

E como se trabalha isso na aprendizagem?
A criança tem dificuldade de entender o tempo. Para trabalhar isso na clínica de terapia da aprendizagem, desenvolvemos um recurso, um material chamado Linha do Tempo, que depois passou a ser utilizado também em escolas, com crianças de primeira a quarta série. Esse recurso psicopedagógico trabalha a construção da noção de tempo cronológico, uma aprendizagem bem complicada para a criança. Como o tempo é uma noção muito abstrata, uma boa forma para a criança construir o conceito de história é poder percebê-la concretamente estudando o seu próprio tempo de vida. A aprendizagem é feita a partir de uma reconstrução familiar do que aconteceu desde nascimento da criança, e mesmo do que aconteceu antes, das relações entre o tempo e os acontecimentos.

Então a criança vai entendendo o tempo cronológico a partir da história de sua vida, ligando a sua história a dos parentes, dos fatos a sua volta...
Essa é a construção. Depois que a criança nasce, vai ter, claro, que perguntar a história da vida dela, porque ela não lembra dos fatos de quando era muito pequena, e vai começar a reconstruí-los. E nesse material ela vai trabalhar com várias dimensões. O que me interessa, como psicopedagoga, é compreender os conhecimentos e ligá-los ao significado que eles têm para cada indivíduo, numa dimensão afetiva, emocional... Então a criança vai trabalhar a lógica de tentar medir o que é um ano, quantos anos cabem na vida dela, quantos meses tem cada ano. E vai conseguir também fazer uma seqüência de tempo. Um trabalho de organização lógica articulado a um trabalho de pesquisa de fatos interessantes que, em geral, são selecionados pela família. E, de repente, cada um tem suas lendas. Começa pela mãe, pelo pai, pelas pessoas que educam essa criança. E aquela lenda , contada e recontada, influencia naquilo que ela é e será.

Essa seqüência de tempo...

O tempo é uma entidade abstrata, em princípio, e, por outro lado, é extremamente concreta.

Cumulativa...

Estamos submersos no tempo. Como o inferimos?... para observarmos o tempo é preciso ter alguma coisa que se conserve e ao mesmo tempo que se transforme. Eu acho que o começo de tudo foi e é a ação. É o movimento. Movimento e ação trazem a transformação que, então, produz o tempo. As transformações nos levam a perceber o tempo. Só que a transformação é contínua. O tempo não pára. Então como é que vou medir uma coisa que é sempre contínua?

Controlando as transformações?
Sim. Quando começou a plantar, o homem precisou ter mais controle sobre as transformações. Saber em quanto tempo a sua plantação ia nascer e se desenvolver... E aí começaram as questões das medidas num intervalo de tempo...

E a contagem de tempo?
Se percebeu que aquilo que se repete em ciclos, poderia ser uma referência de contagem. O dia e a noite, o sol que nasce e se põe, nasce e se põe... Então eu posso contar. Contar é isso, é criar unidades. Unidades repetitivas de tempo. O dia e a noite. E a primavera, o verão, o outono, o inverno. Outro ciclo. E aí o homem começou a observar, primeiro na natureza mesmo, aquilo que ele podia contar porque tem uma permanência no meio da transformação.

E a linha do tempo? Quando começa a ser contada?
A contagem da linha do tempo tem várias dimensões. Tem a dimensão existencial, que remete à questão de: quando é que começam os tempos?, a dimensão lógica e a dimensão do significado pessoal, familiar e cultural daquela história. Então, a contagem da linha começa com um fato determinante, arbitrário. Por quê? Porque como a gente não sabe quando começaram os tempos, a gente começa a contar a partir de um fato ou de um momento arbitrado. A era cristã, por exemplo, começou com Cristo.

No caso da linha do tempo de uma pessoa...
A gente arbitra que começa com o nascimento. E a gente começa a fazer a linha da existência da criança. Como é que você começou a existir? Você já existia antes de nascer? Já. Na barriga de sua mãe? Já. E antes de estar na barriga de sua mãe, você já existia? Bem... E seus olhos, a quem você puxou? Minha avó. E o olho da sua avó veio de onde? E quando os animais começaram a ter olhos?... E por aí vai...

A linha do tempo de cada um vai atualizando a História?
Cada síntese contemporânea conta a história dos tempos. O fato de eu estar de pé, falar assim... conta a história dos tempos. Não somente do tempo cultural humano, como também dos tempos anteriores ao homem. Isso é interessante, porque daí vem a dimensão existencial, vem essa questão de que eu faço parte de uma história muito arcaica. As crianças gostam disso e os adultos também.

É uma redescoberta ...
A questão existencial da nossa origem remete ao estudo da biologia, por exemplo. As crianças ficam muito mobilizadas para estudar um pouco da evolução das espécies nessa ocasião. No aspecto mais emocional e cultural a questão ¾ ou seja, o significado ¾ é pessoal é muito entrelaçado com o da família que por sua vez está entrelaçado à história da região, do país onde vive, país que tem uma relação com o mundo... Por exemplo, " minha avó morreu quando eu tinha cinco anos e dois meses, e nós nos mudamos para o Sul. Ir para o Sul mudou tudo na minha vida.." Meu bisavô comprou uma fazenda de café que outrora tinha tido escravos... quando dou aula de pós-graduação a alunos negros, uma grande minoria, gosto de observar e mostrar o quanto são especiais, a maioria deles, por causa da luta que foi para chegar lá... grande parte de seus ascendentes teve um nível escolar muito baixo.. bem diferente da minha história, que conta com uma família de origem portuguesa com mais recursos.. .Nossas histórias recontam a história de nosso país. Aliás o sentido de se estudar história é poder entender o aqui e agora, especialmente social e econômico. Nossa história está ligada à história de nossa família, e a história da família está ligada à história de nosso lugar, de nosso país. Quer dizer: eu faço parte de uma história, que é a história do mundo, que é a história do meu país, que é a história da minha família, que é a minha história. Acho essa articulação complexa extremamente importante. É uma forma de se perceber o tempo e se perceber no tempo.

Por falar em percepção do tempo, por que as coisas boas são tão rápidas e as ruins tão vagarosas?
Isso é uma coisa de sensação, de tempo de percepção, tempo emocional, tempo psicológico no sentido "dramático". O significado pessoal do momento, que é individual. Não é o tempo lógico. O tempo lógico a gente conta: ano, mês, hora. O tempo lógico é o ano 2000 igual para todo mundo. É o tempo que a gente procura construir culturalmente, universalmente. Ë um tempo para a comunicação coletiva.

A tecnologia mudou a lógica do tempo? Com a Internet, várias pessoas se comunicam ao mesmo tempo, mesmo estando em distâncias e horários diferentes.
Ficou mais complicado. A própria medição lógica do tempo foi modificada com o avanço da tecnologia. Estamos tendo que fazer uma revolução no nosso conhecimento. Eu estou estudando isso que, na minha tese, chamo de turbulência. O momento de turbulência acontece quando temos que mudar o nosso referencial lógico de conhecimento. Quando, a partir de perturbações externas, temos que mudar determinado conceito do nosso conhecimento. Mudanças que fazem com que eu tenha que descentrar. E descentrar é muito difícil para as pessoas.

Por quê?
Nisso que eu chamo de turbulência, acontecem três ansiedades básicas: a ansiedade da perda, a do ataque e a da confusão. Sentimos muito medo de perder aquilo que temos, que é o nosso conhecimento adquirido a duras penas, um objeto pelo qual temos afeto e que faz parte de nós. Temos medo também porque esse conhecimento antigo pode ser atacado pelo novo. E o medo de não estar entendendo mais nada nos faz entrar em confusão, em desordem. E a desordem para o homem tem um duplo sentido...

Uma nova vida ou a morte?
A desordem tem o sentido da desintegração que é a morte. Por isso a gente tem medo. Mas a ordem excessiva é a cristalização, ela provoca uma claustrofobia, que é a própria morte. Então a gente tem que ter um jogo de cintura entre a desordem e a ordem. Porque a desordem existe, está aí... e algumas coisas têm que permanecer, inclusive para nos dar a referência da transformação. A desordem total é a não-vida... mas a ordem total é a não-transformação, que também é a morte.

E como encontrar esse ponto de equilíbrio?
No momento atual de transformações culturais? Eu acho que é a ética que arruma, que põe ordem nessa desordem. Diante de tanta transformação, a gente tem que produzir uma nova ética, novas formas de lidar com isso. O medo é ficar no caos. Por quê? Porque as transformações são extremamente rápidas e não estamos conseguindo, na mesma rapidez, criar referências para poder assimilar e gerenciar essas transformações.
Antes, de uma certa forma, controlávamos o tempo, como na agricultura. Mas agora já estamos no tempo de mexer com os gens dos seres vivos, com os elementos primordiais de produção da vida, até mesmo com os nossos próprios, de nossos descendentes. Então é possível mexer com o tempo de vida. Que é uma coisa que afeta profundamente a organização humana. Sempre nossa luta foi saber de onde viemos, para onde vamos, para onde vai o nosso tempo. E a nossa cultura judaico-cristã lida com isso de uma forma estranha...

Como assim?
Em nossa cultura, a gente fala muito pouco do tempo que a gente tem aqui, do tempo existencial, que remete às questões básicas. Especialmente da morte .E agora não conseguimos mais ter conteúdos que sejam verdades estabelecidas por um prazo muito grande. Os conhecimentos são revolucionados de forma muito intensa, muito rápida...

Qual a melhor forma de administrar isso na educação?
Há mais de 20 anos eu defendo que temos que realizar uma "educação apocalíptica". Educação apocalíptica é nos educarmos para hoje. Não existe futuro, não existe garantia de nada. O melhor a fazer é tentar entender as coisas, hoje, prazerosamente, se possível. Questionando o conteúdo de uma forma lógica. De onde ele surgiu? A gente procura "farejar" parte da história dele e tenta contextualizar aquele conteúdo no tempo e no espaço.

Não mais um conteúdo para resolver uma prova...
Não. É um conteúdo para ser usado como uma bússola. Que nos deixe mais norteados neste mundo de tantas transformações culturais, para não ficarmos tão vulneráveis, tão ao sabor dos acontecimentos. Isso é uma coisa de poder, de quem tem acesso à mídia. Alguém diz: todo mundo tem que ter computador. Aí todos se sentem na obrigação de ter um micro. Ou então, dizem: seu programa não serve mais, está desatualizado. Mesmo que ele atenda perfeitamente às suas necessidades, você acaba achando que é preciso trocá-lo. Tem muita confusão nessa história. Nem todos precisam de toda aquela tecnologia dentro de casa. Há a transformação que a gente quer e a que a gente não quer. A gente devia poder e saber escolher. As pessoas não estão tendo consciência disso. E aí acham que têm que correr atrás. Como se algo estivesse lhe perseguindo e fosse lhe morder...

Paranóia?
Há, sim, uma paranóia. Se não entrar nisso vou morrer. Então é vital entender de modo mais profundo o que está acontecendo, qual é o jogo de interesses, de poder. Conseguir identificar o que é realmente é interessante, necessário e inevitável. Nunca foi tão importante entender os processos na sua essência mais do que na sua aparência. Existem questões muito bem resolvidas nas culturas primitivas. E acho que não se pode descartar isso apenas em nome de um interesse econômico que diz: isso já era. Então, é preciso resistir. Mas não resistir como um dinossauro.

O que merece ser conservado, no Brasil, na área de educação?
Quando morei na França, fiquei muito surpresa de ver como nós temos bons professores. Como nosso professor primário é interessante. E nós damos pouquíssimo valor a eles, nem sabemos o quanto os professores brasileiros são criativos. A gente tem um jeito todo especial de dar aula, que é muito difícil de encontrar no professor europeu. No Brasil, os professores deixam o aluno falar, eles riem, contam piada, brincam com o aluno. Não é só uma coisa engraçada, é uma atitude muito inteligente, porque articula emoções. O professor é uma figura erotizada pelo o aluno, no sentido do prazer, da importância, do modelo. No Brasil descartamos experiências com muita facilidade, justamente porque não lhes damos valor. Acho que a gente precisa buscar certas pilastras que devem permanecer para que possamos avançar. No próprio processo de aprendizagem, não se avança linearmente.

Isso é uma questão psicopedagógica?
Quando se está diante de uma coisa nova, a gente tem a tendência de regredir. Não uma regressão patológica, mas o que a gente chama de regressão instrumental. Você volta a alguma coisa conhecida, que faz você se sentir bem, à qual você se apega para se realimentar e dar um salto para o desconhecido. Trata-se de superar medos muito arcaicos, como o medo do escuro. O medo de ser atacado por uma besta, por uma fera no escuro... A gente só pode avançar regredindo. É estranho, mas é assim que acontece.

Regredir para se tornar mais apto para a aprendizagem?
O bom aprendiz é aquele que pode regredir e avançar. Regredir e avançar. Às vezes é preciso realizar uma aprendizagem muito primitiva para sobreviver. Num determinado momento, pular uma poça pode ser mais importante do que saber fazer uma raiz quadrada. Aprendizagem é para podermos sobreviver.

Antes não se podia errar e era preciso saber tudo de cabeça. O que se diria para esse educador? "Esqueça a memorização"?
A aprendizagem não é mais o armazenamento de informações. Hoje você pode ter esse armazenamento no computador, no vídeo, na enciclopédia. Educação não é mais acumulação de conhecimentos, mas isso não quer dizer que não precisamos guardar algumas coisas na memória. Por quê? Porque elas nos dão uma referência de reflexão. A gente tem que ter alguma coisa dentro da gente. Mas o mais importante é aprender a fazer as relações entre os conhecimentos. Saber articular os conteúdos, relacioná-los numa seqüência de tempo, num espaço... pelas semelhanças, pelas diferenças. Uma vez adquirido o raciocínio de relação, ele não se perde.
Se há armazenagem, tem que haver também a "desarmazenagem". Hoje as pessoas precisam de educação durante toda a sua vida. A previsão é que dentro de 50 anos a expectativa de vida seja de 120 anos. Imagine o impacto disso para a educação e para a aprendizagem.

Como educar nesse novo tempo?
A primeira coisa é saber que não existe regra, que temos que contar com o nosso pensamento e, se tenho que contar com o meu pensamento, tenho que permitir que o outro pense também, porque ele terá que contar com o dele. E a tendência deve ser tentar construir isso com os alunos. Lembro-me de um exemplo radical.
Na escola em que eu trabalhava com alunos da primeira à quarta série, inauguramos um programa de "ciências experimentais ". Não se dava, nessas aulas, nada de conteúdo, nenhum conceito pronto, e sim algumas experiências, como a flutuação dos corpos na água, por exemplo. O professor pegava objetos e perguntava ao aluno: "O que você acha que vai acontecer quando a gente colocar isso na água?" Aí o aluno dizia: "Eu acho que vai afundar." "Por quê?", ele respondia, "Porque é pesado." "O navio é pesado?", o professor perguntava, realizando umas contra-argumentações para desestabilizar as respostas dos alunos. Assim a criança ia construindo o conceito. Depois fazíamos a experimentação, a verificação empírica, para checarmos as hipóteses surgidas. Voltávamos novamente, dávamos outras desequilibradas e alguns conceitos iam sendo reconstruídos naquele momento. Conceitos que ficavam fixados na sala. A gente não dizia absolutamente nada, a criança é que muitas vezes ia pesquisar e buscar possíveis respostas. Fizeram belíssimas produções e constatações. E existia a tabela de dúvidas...

O que é uma tabela de dúvidas?
Há dúvidas que nunca vão ser esclarecidas. Eu não sei para onde vou, como vai ser minha morte, coisas assim. A gente tem que saber lidar com isso. No formato clássico de aula, não dá para fazer isso. Mobilizar, deixar um pouco de dúvida e instalar um espírito de pesquisa, que vai ser realizada em conjunto. O professor é o orientador dessa pesquisa. Ele é um canal e não a fonte ou o detentor de informações.

É o tão falado construtivismo?
Não existe um construtivismo pronto. Mas a princípio esse seria o construtivismo de Piaget, segundo o qual a gente não nasce com os conhecimentos, nasce com algumas possibilidades de construção de conhecimentos. Então tudo tem que ser elaborado numa relação dialética com o outro e com a realidade.
Em resumo é isto: a gente tende a pensar que existe um conhecimento completamente pronto. Mas não. O que existe é uma história, uma construção que foi feita daquela forma por alguém, ligado à uma rede de conhecimentos do seu tempo (uma episteme) e eu, agora, consigo entender parte daquilo a partir do meu próprio conhecimento.


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Aconteceu dias 16/04/11
V Sarau de produções poéticas



Aconteceu dias 13 e 14/05/11
Abertura e Jornada 1 dos eventos comemorativos dos 15 anos do Tekoa.



Aconteceu dia 07/01/11
Roda de Conversa VIII: Casa de Dona Marina
Roda de narrativa com Sr. Carlinhos.



Aconteceu dia 06/01/11
Roda de Conversa VII: 40º Encontro de Folia de Reis de Valença, RJ.



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Roda de Conversa VI: Conversa com Sr. Devanir
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Aconteceu dia 11/12/10
Roda de Conversa V: Casa de Dona Marina.



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