Comentário
do Tekoa: Temos
notado em nossos consultórios uma intervenção discreta,
porém crescente na clientela de adultos. Inicialmente percebemos
uma procura de um grupo de pessoas ligadas à educação
(especialmente professores) e à psicopedagogia. Esses clientes
pedem ajuda para a sua atuação em sala de aula ou na clínica
ou ainda pedem auxílio para a elaboração de sua
monografia ou tese. O pedido muitas vezes vai além de uma supervisão
mais focal e objetiva: solicita-se um atendimento psicopedagógico.
Para formandos e profissionais na área de psicopedagogia esse
atendimento se reveste freqüentemente numa psicopedagogia didática.
Há também os adultos que nos procuram para o redimensionamento
de sua vida profissional.
Nos últimos anos, com o crescente atendimento às famílias
(orientação psicopedagógica familiar) têm
surgido os desejos de pais que gostariam de ter seu próprio atendimento
psicopedagógico ao perceberem os processos de aprendizagem dos
filhos.
Rachel
Vasconcelos Gabriel Ribeiro para o TEKOA
Olá,
Gostaria de participar deste "bate-papo", pois o assunto muito
me interessa. Sou pedagoga e pós-graduada em psicopedagogia.
Atuo na área institucional e clínica e em atendimentos
na clínica, tenho recebido uma quantidade significativa de adultos
procurando avaliação e intervenção psicopedagógica.
A queixa é na maioria das vezes: dificuldade em prestar atenção
nas atividades diárias, distração, agitação,
impulsividade, dificuldade em escrever textos coerentes ou de interpretar
o que lê, insegurança... entre outras questões.
Acredito que nesta área (trabalho psicopedagógico com
adultos) especificamente, merece estudos e discussões, pois além
de serem adultos com queixas cognitivas, geralmente ultrapassam estes
problemas e atingem a segurança e auto-estima entre outros fatores,
e fico a pensar no quanto a psicopedagogia desenvolvendo um trabalho
sério, tem a ajudar e a trabalhar, mesmo que em fase adulta,
ainda podendo prevenir muitos outros problemas descobrindo as origens.
Aguardo respostas!!!
Obrigada,
Rachel Vasconcelos Gabriel Ribeiro
Maria
Luiza Leão (TEKOA) para Raquel Vasconcelos
Querida Rachel,
Esse é realmente um assunto que precisa e merece discussão,
reflexão e pesquisa. A demanda de trabalho com adultos em nossa
clínica tem sido basicamnete de três tipos: a) procura
para um trabalho focal de reorientação profissional. Normalmente
nesses casos costumo propor um trabalho com a linha do tempo onde pesquisamos
a trajetória de aprendizagem do cliente, suas opções
e escolhas, seus desejos, suas dificuldades e limitações
etc. O trabalho ocorre de maneira orgânica, através de
um movimento do cliente. A sugestão de elaboração
da linha pode ou não ser aceita por ele. b) profissionais ( professores,
pedagogos, psicopedagogos, psicólogos escolares...) que pedem
uma supervisão, que em geral é revestida de um caráter
de psicopedagogia didática: a tarefa é trazida pelo cliente
e é trabalhada de forma psicopedagógica, isto é,
observamos a objetividade articulada à subjetividade na demanda
e na tarefa estabelecida pelo cliente. c) adultos que pedem um tratamento
psicopedagógico. Na nossa prática, a maioria desses adultos
vem da área de educação e da especialidade de psicopedagogia
e pede um atendimento baseado em uma queixa específica. Ainda
tem sido escassa a busca de um trabalho clínico por parte de
adultos fora dessas áreas. Imagino vários motivos para
essa "não -procura"; dentre eles, a falta de informação
sobre a atuação da psicopedagogia, que quando conhecida
é bastante associada á criança com problemas na
escola. Outro motivo é que as dificuldades no adulto ( quando
não muito evidentes) são mais adaptadas, compensadas e
geralmente mantem-se "escondidas". A dificuldade, que dificilmente
fica evidenciada, aparece diante de uma demanda profissional que a deixa
a mostra. Geralmente o adulto foge das tarefas que exijam um "trabalho
de elaboração" de suas dificuldades. O profissional
diretamente envolvido com processos de aprendizagem e de sua terapia,
tem mais possibilidades de questionar-se e realizar um movimento na
direção de um trabalho clínico para si.
Um abraço
Maria Luiza Oliveira Castro de Leão