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Colocamos em discussão:

Período: 05/2004 - 12/2004
O lugar da psicopedagogia do conhecimento

O lugar da psicopedagogia em mim.

Depoimentos Maria Luiza Leão e Anne Marie Bouyer
Período: 05/2003 - 10/2003
A Psicopedagogia na Escola:
estabelecendo relações.

Período: 12/2002 - 03/2003
O que caracteriza o atendimento psicopedagógico de adultos?
Como divulgar socialmente esse atendimento?
BATE-PAPO ONLINE
 

A Psicopedagogia na Escola:
estabelecendo relações.

Por Roberta Peregrino Gonçalves

O homem é a única espécie que não recebe na sua herança genética todo o saber acumulado pelas gerações anteriores e que, por meio da sua ação transformadora sobre a natureza, cria a cultura e a história humanas. Assim, a sociedade é rica de significados construídos sócio-historicamente que são internalizados pelo homem no seu processo de ação sobre a realidade, ou seja, a realidade é objetiva e independente do homem e, por isso, possível de ser conhecida (Freire, 1991). O homem ser de relações está com o mundo (e não apenas no mundo), ligado a ele e em comunicação, construindo significados e história(s), fazendo-se sujeitos.
Quando o homem, no seu processo sócio-histórico, transforma as formas de se comunicar, produzir e reproduzir no seu cotidiano, também transforma suas relações humanas e com a natureza. Nesta perspectiva, o homem é identificado como social, ativo e histórico, produzindo, através da historicidade de suas experiências (na ação sobre o mundo), bens materiais e espirituais, objetos e idéias. As idéias modificam a ação e são por ela modificadas; o homem na sua ação sobre o mundo, sobre a realidade objetiva, constitui a sua subjetividade.
A relação do homem com a realidade implica a aprendizagem humana, pois ao apropriar-se da realidade, ao construir conhecimento, o homem constitui-se sujeito. "O sujeito não é sujeito até que conheça. É sujeito porque conhece e é sujeito a esse conhecimento" (Pain, 1996) .
A aprendizagem da herança cultural da humanidade é vinculada aos processos educacionais, cuja efetivação social e formal é de responsabilidade das escolas. Neste contexto, aprendizagem tem estado unicamente relacionada à construção de conhecimento e a Educação ao sujeito epistêmico, negando a sua história e a sua singularidade. E esse sujeito epistêmico pode ser considerado de forma passiva, um receptor de informações, um reprodutor de idéias - e neste caso, tem-se uma forte postura dominadora e absoluta que não favorece o pensar, o ser critico a possibilidade de transformar, pois o saber está no outro e, então, só resta a ignorância. Ou pode-se partir de uma visão em que o sujeito epistêmico é um construtor ativo de conhecimentos resultantes da sua relação e reflexão sobre a realidade e sua capacidade de transformá-la; neste caso diminui-se a postura dominadora e considera-se o sujeito social e histórico, mas ainda não emerge, em conjunto, o sujeito singular, o sujeito aprendente.
Trava-se uma luta entre um sujeito passível de ser moldado e um sujeito que potencialmente, além de estar na escola, esta com a escola, interagindo com o vivido, com o outro, com o conhecimento, com ele mesmo. Ele pode conhecer e atuar, comunicar, construir significados, transformar e transformar-se. É este sujeito que a Psicopedagogia reconhece e conhece...
À escola e aos educadores cabe o ensinar científico. A Psicopedagogia pode ajuda-los a ver o aluno como sujeito singular e histórico, reconhecendo-o como aprendentes de conhecimento e de si mesmo. Uma prática psicopedagógica permite circular informações, permite escutar o outro e a si mesmo, comunicar, construir conhecimentos múltiplos, históricos, sociais e, principalmente, individuais. Ela possibilita o saber e o não saber, o estabelecer relação entre os "distintos mundos" (sociedade, família, escola, sala de aula, grupos de colegas), a contextualizar e a personalizar, a considerar construções coletivas e individuais.
A Psicopedagogia possibilita o pensar(-se) - com toda potencialidade que a palavra propõe - o indagar (-se) sobre o por quê , o para quê e o como e, principalmente, o sobre quem. Indo além do ensinar científico, a Psicopedagogia pode ajudar a "construir uma didática que esteja baseada teoricamente em um conhecimento do ser humano" (Pain, 1996).