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A
Psicopedagogia na Escola:
estabelecendo relações.
Por Roberta Peregrino
Gonçalves
O homem é a
única espécie que não recebe na sua herança
genética todo o saber acumulado pelas gerações anteriores
e que, por meio da sua ação transformadora sobre a natureza,
cria a cultura e a história humanas. Assim, a sociedade é
rica de significados construídos sócio-historicamente que
são internalizados pelo homem no seu processo de ação
sobre a realidade, ou seja, a realidade é objetiva e independente
do homem e, por isso, possível de ser conhecida (Freire, 1991).
O homem ser de relações está com o mundo (e não
apenas no mundo), ligado a ele e em comunicação, construindo
significados e história(s), fazendo-se sujeitos.
Quando o homem, no seu processo sócio-histórico, transforma
as formas de se comunicar, produzir e reproduzir no seu cotidiano, também
transforma suas relações humanas e com a natureza. Nesta
perspectiva, o homem é identificado como social, ativo e histórico,
produzindo, através da historicidade de suas experiências
(na ação sobre o mundo), bens materiais e espirituais, objetos
e idéias. As idéias modificam a ação e são
por ela modificadas; o homem na sua ação sobre o mundo,
sobre a realidade objetiva, constitui a sua subjetividade.
A relação do homem com a realidade implica a aprendizagem
humana, pois ao apropriar-se da realidade, ao construir conhecimento,
o homem constitui-se sujeito. "O sujeito não é sujeito
até que conheça. É sujeito porque conhece e é
sujeito a esse conhecimento" (Pain, 1996) .
A aprendizagem da herança cultural da humanidade é vinculada
aos processos educacionais, cuja efetivação social e formal
é de responsabilidade das escolas. Neste contexto, aprendizagem
tem estado unicamente relacionada à construção de
conhecimento e a Educação ao sujeito epistêmico, negando
a sua história e a sua singularidade. E esse sujeito epistêmico
pode ser considerado de forma passiva, um receptor de informações,
um reprodutor de idéias - e neste caso, tem-se uma forte postura
dominadora e absoluta que não favorece o pensar, o ser critico
a possibilidade de transformar, pois o saber está no outro e, então,
só resta a ignorância. Ou pode-se partir de uma visão
em que o sujeito epistêmico é um construtor ativo de conhecimentos
resultantes da sua relação e reflexão sobre a realidade
e sua capacidade de transformá-la; neste caso diminui-se a postura
dominadora e considera-se o sujeito social e histórico, mas ainda
não emerge, em conjunto, o sujeito singular, o sujeito aprendente.
Trava-se uma luta entre um sujeito passível de ser moldado e um
sujeito que potencialmente, além de estar na escola, esta com a
escola, interagindo com o vivido, com o outro, com o conhecimento, com
ele mesmo. Ele pode conhecer e atuar, comunicar, construir significados,
transformar e transformar-se. É este sujeito que a Psicopedagogia
reconhece e conhece...
À escola e aos educadores cabe o ensinar científico. A Psicopedagogia
pode ajuda-los a ver o aluno como sujeito singular e histórico,
reconhecendo-o como aprendentes de conhecimento e de si mesmo. Uma prática
psicopedagógica permite circular informações, permite
escutar o outro e a si mesmo, comunicar, construir conhecimentos múltiplos,
históricos, sociais e, principalmente, individuais. Ela possibilita
o saber e o não saber, o estabelecer relação entre
os "distintos mundos" (sociedade, família, escola, sala
de aula, grupos de colegas), a contextualizar e a personalizar, a considerar
construções coletivas e individuais.
A Psicopedagogia possibilita o pensar(-se) - com toda potencialidade que
a palavra propõe - o indagar (-se) sobre o por quê , o para
quê e o como e, principalmente, o sobre quem. Indo além do
ensinar científico, a Psicopedagogia pode ajudar a "construir
uma didática que esteja baseada teoricamente em um conhecimento
do ser humano" (Pain, 1996).
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