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O
lugar da psicopedagogia no universo do conhecimento.
A aprendizagem como um fenômeno complexo não pode ser considerada
como um objeto científico. Assim sendo, a aprendizagem deve ser situada
como uma instância a ser explicada e não como uma instância que explique.
Para investigá-la, podemos nos inspirar na idéias de Sara Pain e tomarmos
o pensamento, produtor de conhecimento e estruturador do sujeito capaz
de aprender, como objeto científico. No caso da instauração de um campo
de conhecimento que concerne à psicopedagogia, nos interessa especialmente
o pensamento visto como um sistema composto por um dupla estrutura: uma
lógico-conceitual, estudada especialmente por Piaget e seus seguidores
cognitivistas, e outra simbólico-dramática, estudada pela psicanálise,
particularmente pela ótica lacaniana. A estrutura lógico-conceitual tem
por função construir a objetividade e a simbólico-dramático-desiderativa,
o sujeito do desejo. O pensamento tem por função então, construir a realidade
para nela o sujeito instaurar o seu desejo.
A psicopedagogia, como campo de investigação pode se situar
a partir do questionamento da articulação entre as duas
estruturas citadas. O estudo dessa influência mútua apenas
começou... Como se dá essa articulação? Sob
que leis? Leis ainda desconhecidas...
Sara Pain fala da função da ignorância entre as estruturas,
que, como uma membrana isolante, faz uma estrutura desconhecer a outra
e assim, resguardar o funcionamento mental e o desenvolvimento da aprendizagem.
Maria Luiza Leão estuda os "momentos de turbulência"
onde os registros lógico- conceitual e o dramático se misturam,
porém não necessariamente de uma forma patológica.
Ao contrário, no caso, as rupturas nos mecanismos de pensar e a
necessidade de transformar conceitos, possibilitam uma não-cristalização
saudável do pensamento. As rupturas acontecem a partir de oposições,
conflitos, contradições, que geram desestabilização
cognitiva, que por sua vez tem sua repercussão dramática
com significados pessoais, familiares, institucionais e culturais. Lembramos
que os desequilíbrios cognitivos, como nos ensinou Piaget, geram
a necessidade de compensação para a conservação
do sistema cognitivo, e desse modo produzem construção.
Daí a "contaminação" entre as estruturas,
realizada num "nível ótimo" poder ser propulsora
de avanços nos processos conceituais e na construção
da aprendizagem.
O lugar da psicopedagogia em mim
A psicopedagogia surgiu
para mim, no momento em que olhei em outras direções diante de uma mesma
situação. Ficaram as perguntas, os questionamentos, as dúvidas que carreguei
sem respostas que me possibilitassem ter uma compreensão maior a cerca
do mundo da criança, do seu desenvolvimento e de sua aprendizagem.
Muitos caminhos percorri numa trajetória acadêmica, profissional e de
auto-conhecimento. Muitas certezas se diluíram diante de outros horizontes
que se descortinavam ao meu redor. Anteriormente, apenas uma janela se
abria a cada vez, diante dos acontecimentos e movimentos que giravam em
torno de mim. Na verdade, o sujeito se situa em múltiplas dimensões. E
é neste sentido que me encontro com a Psicopedagogia, como se fosse um
grande arco-íris....
Arco-íris, tons, cores, gestos, expressões e trejeitos.
Cheiro de terra, liberdade e movimento.
Harmonia, equilíbrio e estética.
O que é ética? É respeitar o seu momento e o limite do outro.
É saber quando falar e se calar para escutar.
Tenacidade, altivez e altruísmo.
Quando começamos?
Não sabemos. Simplesmente vamos.
Com cuidado. Sem pressa.
Com grandeza, apesar dos tropeços.
Seguindo adiante, sem olhar para trás.
Sem machucar, porque quem vem atrás
Também quer aprender.
Ao seu modo, no seu ritmo.
Frenético, audacioso, falante
Ou quieto, observador e silencioso.
O que importa?
Vamos todos nas cores do arco-íris.
Quem quiser, invente uma cor.
Criação, arte e poesia.
Quem vive sem isso?
Se aborrece e entristece.
O céu pode ficar preto
Que seja passageiro.
Pois a tristeza também faz parte.
O mais importante é o coração
Estar sempre aberto para acolher mais um.
Com firmeza e afeto.
E se não puder, que possa reconhecer as limitações.
Sem desespero!
Afinal de contas, somos falíveis.
Só assim, vamos aprendendo que a
Nossa caminhada não tem fim.
Anne Marie Bouyer
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