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Colocamos em discussão:

Período: 05/2004 - 12/2004
O lugar da psicopedagogia do conhecimento.

O lugar da psicopedagogia em mim. Depoimento - Anne Marie Bouyer

Período: 05/2003 - 10/2003
A Psicopedagogia na Escola:
estabelecendo relações.

Período: 12/2002 - 03/2003
O que caracteriza o atendimento psicopedagógico de adultos?
Como divulgar socialmente esse atendimento?
BATE-PAPO ONLINE

O lugar da psicopedagogia no universo do conhecimento.

A aprendizagem como um fenômeno complexo não pode ser considerada como um objeto científico. Assim sendo, a aprendizagem deve ser situada como uma instância a ser explicada e não como uma instância que explique. Para investigá-la, podemos nos inspirar na idéias de Sara Pain e tomarmos o pensamento, produtor de conhecimento e estruturador do sujeito capaz de aprender, como objeto científico. No caso da instauração de um campo de conhecimento que concerne à psicopedagogia, nos interessa especialmente o pensamento visto como um sistema composto por um dupla estrutura: uma lógico-conceitual, estudada especialmente por Piaget e seus seguidores cognitivistas, e outra simbólico-dramática, estudada pela psicanálise, particularmente pela ótica lacaniana. A estrutura lógico-conceitual tem por função construir a objetividade e a simbólico-dramático-desiderativa, o sujeito do desejo. O pensamento tem por função então, construir a realidade para nela o sujeito instaurar o seu desejo.
A psicopedagogia, como campo de investigação pode se situar a partir do questionamento da articulação entre as duas estruturas citadas. O estudo dessa influência mútua apenas começou... Como se dá essa articulação? Sob que leis? Leis ainda desconhecidas...
Sara Pain fala da função da ignorância entre as estruturas, que, como uma membrana isolante, faz uma estrutura desconhecer a outra e assim, resguardar o funcionamento mental e o desenvolvimento da aprendizagem.
Maria Luiza Leão estuda os "momentos de turbulência" onde os registros lógico- conceitual e o dramático se misturam, porém não necessariamente de uma forma patológica. Ao contrário, no caso, as rupturas nos mecanismos de pensar e a necessidade de transformar conceitos, possibilitam uma não-cristalização saudável do pensamento. As rupturas acontecem a partir de oposições, conflitos, contradições, que geram desestabilização cognitiva, que por sua vez tem sua repercussão dramática com significados pessoais, familiares, institucionais e culturais. Lembramos que os desequilíbrios cognitivos, como nos ensinou Piaget, geram a necessidade de compensação para a conservação do sistema cognitivo, e desse modo produzem construção. Daí a "contaminação" entre as estruturas, realizada num "nível ótimo" poder ser propulsora de avanços nos processos conceituais e na construção da aprendizagem.


O lugar da psicopedagogia em mim

A psicopedagogia surgiu para mim, no momento em que olhei em outras direções diante de uma mesma situação. Ficaram as perguntas, os questionamentos, as dúvidas que carreguei sem respostas que me possibilitassem ter uma compreensão maior a cerca do mundo da criança, do seu desenvolvimento e de sua aprendizagem.
Muitos caminhos percorri numa trajetória acadêmica, profissional e de auto-conhecimento. Muitas certezas se diluíram diante de outros horizontes que se descortinavam ao meu redor. Anteriormente, apenas uma janela se abria a cada vez, diante dos acontecimentos e movimentos que giravam em torno de mim. Na verdade, o sujeito se situa em múltiplas dimensões. E é neste sentido que me encontro com a Psicopedagogia, como se fosse um grande arco-íris....

Arco-íris, tons, cores, gestos, expressões e trejeitos.
Cheiro de terra, liberdade e movimento.
Harmonia, equilíbrio e estética.

O que é ética? É respeitar o seu momento e o limite do outro.
É saber quando falar e se calar para escutar.
Tenacidade, altivez e altruísmo.
Quando começamos?
Não sabemos. Simplesmente vamos.
Com cuidado. Sem pressa.
Com grandeza, apesar dos tropeços.
Seguindo adiante, sem olhar para trás.
Sem machucar, porque quem vem atrás
Também quer aprender.
Ao seu modo, no seu ritmo.
Frenético, audacioso, falante
Ou quieto, observador e silencioso.
O que importa?

Vamos todos nas cores do arco-íris.
Quem quiser, invente uma cor.
Criação, arte e poesia.
Quem vive sem isso?
Se aborrece e entristece.
O céu pode ficar preto
Que seja passageiro.
Pois a tristeza também faz parte.

O mais importante é o coração
Estar sempre aberto para acolher mais um.
Com firmeza e afeto.
E se não puder, que possa reconhecer as limitações.
Sem desespero!
Afinal de contas, somos falíveis.
Só assim, vamos aprendendo que a
Nossa caminhada não tem fim.

Anne Marie Bouyer