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Como campo teórico de investigação do ato de aprender, a terminologia "psicopedagogia", tal como vem sendo utilizada pelos argentinos, brasileiros e mesmo pelos franceses parece-me mais adequada à sua intervenção e ao seus primórdios históricos, isto é, como uma prática voltada para resolver os problemas de aprendizagem em geral. Intervenção que se apoiou historicamente na medicina e na educação.
Amparadas em diferentes correntes metateóricas as práticas psicopedagógicas vêm se desenvolvendo para dar conta de questões relativas à aprendizagem e à cognição. Vimos que aqui no Brasil, sob influência de escolas argentinas e européias (francesa, suíça...) a psicopedagogia vem evoluindo especialmente sob a égide de construções teóricas que privilegiam uma aproximação do pensamento da escola de Genebra, piagetinos e pós-piagetianos, com a psicanálise, quer dinâmica, quer estruturalista. Nas arquiteturas teóricas tais como a epistemologia convergente do prof. Jorge Visca, a teoria da ignorância de Sara Pain, como também nas produções e reflexões de Jean Marie Dolle, Elza Kitsikis, Fernando Vidal, Gèrard Vergnaud, entre os estrangeiros, e nas pesquisas do " ser cognoscente" de Maria Cecília Almeida e Silva, e da Turbulência de Maria Luiza O. C. De Leão, entre os brasileiros, vemos valiosas contribuições , mais ou menos diretas , para se aprofundar o estudo sobre o pensamento no ato de conhecimento em sua complexidade evitando-se um reducionismo.
Assim notamos que chegou o tempo de pensarmos no campo de conhecimento relativo ao fenômeno de aprendizagem, considerando-se seu sujeito, seus processos e seu produtos, não apenas com o objetivo de instrumentação de uma prática, mas como um campo teórico em si, como um campo epistemológico. A essa área de estudo nomeio de Noologia.
A Noologia estuda a complexidade da subjetividade produtora de conhecimentos, bem como a própria evolução e estruturação dos conhecimentos em geral e dos conceitos em particular.
Proponho uma Noologia estruturalista/construtivista que estuda a elaboração, o desenvolvimento e o funcionamento do pensamento capaz de aprender (se enganar, omitir, esquecer) e de produzir conhecimentos (e ignorâncias) tomando-se como foco o estudo da subjetividade em sua dupla constituição: lógico conceitual e desiderativo-simbólico-dramática... e numa postura interaccionista e dialética considera também o contexto do processo de aprender em toda sua complexidade.
A Noologia que venho elaborando se constitui no estudo do pensamento como um sistema (levando-se em consideração sua totalidade, suas leis de composição, de transformação e de auto-reglagem), composto pela confederação de dois subsistemas, o sistema lógico-cenceitual (a estrutura cognitiva do Piaget) e o sistema desiderativo (proposto pela psicanálise). Cada sub-sistema citado possui seus procedimentos e objetos próprios. O cerne da investigação dessa Noologia consiste no estudo da articulação inter-estrutural possível entre esses dois sistemas propostos pelas psicologias do século XX que consideramos as mais ricas no que diz respeito ao estudo do sujeito e seu pensamento.
Assim o desenho teórico que propomos a ser investigado, descoberto, discutido, inventado e construído, está no ainda segredo das leis de composição e de auto regulação do sistema amplo do pensamento que intuímos residir nas relações inter-estruturais citadas.
Por que Noologia? Porque essa terminologia?
A fonte dos estudos dessa terminologia me foi proporcionada pelo prof. Jorge Pique, da cadeira de grego antigo da universidade federal do Paraná. Exponho por ora (já que ainda estamos em fase de investigação) alguns achados relativos ao termo Noologia:
[ *Glossaire* La FONDATION NOETIQUE contribue au développement du vocabulaire de la noétique. Pour l'heure, voici quelques définitions essentielles ]
Em grego /nóos /(se pronuncia nôos) é a sede, principalmente, da percepção e do pensamento, embora às vezes misturado a sentimentos (cf. Chantraine = é o melhor dicionário etimológico de grego antigo). Tem o verbo /noéo/, pensar, e os substantivos derivados do verbo /nôesis /(noese em português?), a ação de pensar, ou seja, o pensamento enquanto um processo, e /nôema (português noema?), o produto concreto desse pensar, o pensamento enquanto um produto. Em outros termos, noese seria a conceptualização e o noema, o conceito... / noétika (port noética) : é um adjetivo, literalmente, relativo a faculdade de pensar, e daí a arte de pensar e em conseqüência seu estudo.
Noologia: literalemte estudo do noos, a mente,
(= percepcao+pensamento.conhecimento+ sentimento/emoção)
*Noétique*
La Noétique (du grec /'///nous '/ : connaissance, esprit, intelligence) se concentre sur l'étude et le développement de toutes les formes de connaissance et de création qui engendrent et nourrissent la noosphère.''
*Noosphère *
La noosphère est cette "couche" de savoirs et connaissances qui couvre toute la Terre et ses réseaux, elle se superpose à la sociosphère. Ce mot a été créé par Teilhard de Chardin (1881-1955) qui lui donnait cette définition: "Noosphère (ou sphère pensante) super-imposée
coextensivement (...) à la biosphère" /in 'La Place de l'Homme dans la Nature' (éd. Seuil, 1956)
Il faut comprendre la noosphère dentro do processo histórico de complexificação do Universo)) {dans le cadre de l'histoire de l'Univers en tant que stade de la montée de la complexification}. Cette couche se superpose aux autres couches dont la lithosphère (la matière inerte), la biosphère (tous les êtres vivants), la sociosphère (relations écologiques et/ou sociales entre êtres vivants).
O conceito de Noologia tem uma história que não compete ser colocada detalhadamente nessa apresentação. Pintor-Ramos ( espanhol da universidade de Salamanca) em seu artigo sobre a filosofia de Zubiri algo dessa história e parece que o conceito foi usado pela primeira vez em 1625, pelo escolástico alemão Georg Gutke para designar parte da metafísica que se ocupa do conhecimento dos primeiros princípios ( e da inteligência ) . O pensamento dele parece integrar a linha aristotélica da filosofía alemã; isto é ela trata do desenvolvimento do principio aristotélico que vê o entendimento como" habitus primorum principiorum", que aparece claramente na definição de Calov, pouco depois do uso do termo por Gutke: «Noología é o hábito mental principal que contempla a afinidad das coisas, enquanto flui dos mesmos primeiros princípios do conhecer».
Este termo quase esquecido passará para o primeiro plano na obra de R. Eucken (1846-1920), um filósofo muito influente de seu tempo que em sua obra diz " Neste conceito [de vida] eu distinguo um grau inferior e um grau superior, um grau biológico e um grau noológico. No primeiro, a vida está ligada a natureza; e no segundo, alcança independência e possessão de si mesma; no primeiro se forma un tecido biológico que constitui no intercambio de elementos isolados; no segundo se forma un poder de coesão que es capaz de dar a la vida un rico contenido»3 . (vamos ver edgar Morin retomando e aprofundando essa idéia...)
recurrió al término noología como denominación del tema básico de su monumental estudio sobre la inteligencia. Zubiri (autor espanhol) no começo do seu de Inteligencia sentiente: inteligencia y realidad- Madrid (1980), aparece o termo com objetivo de buscar um termo que possa abarcar a intelecção em toda sua amplitude, sem que fique reduzida a uma de suas funções, ainda quee seja tão importante como a ( produção) de conhecimento
O ponto de vista da noologia consiste em centrar-se em uma análise descritiva do que é o ato de intelecção em si mesmo, como fato, se trata, por tanto do ato tomado em si e por si mesmo, deixando- se de lado se esse ato é resultado de uma ação realizada por alguma faculdade ou capacidade, e também deixando de lado a possível realidade que se deva atribuir a essa eventual faculdade. (já penso que a Noologia deva dialeticamente se ocupar além do ato e seu processo, do sujeito do ato, dos produtos do ato, do contexto do ato). En todo caso, el camino exigido por la noología iría desde el acto a la facultad, y no al revés; incluso el término inteligencia resulta inicialmente algo inexacto y es preferible hablar de intelección. Tal ato intelectivo e descrito assim por Zubiri: «A intelecção humana é formalmente mera atualização do real inteligência sentiente» 4... Zubiri diz que pretende abarcar toda a extensão do ato intelectivo..... Mas, diz Ramos, que é importante notar que a coisa fica apreendida como siendo outra que o ato mesmo de apreensão ( essa alteridade- o outro / o conteúdo / conhecimento); este momento de /alteridade não significa nenhuma saída fora da "imediatez" do ato mesmo: a cosa aparece como outra que o ato, mas no ato....
Para Zubiri, o momento de afecção (assimilação) e de alteridade é acompanhado por u terceiro momento: una força de imposição, porque a coisa se impõe, o que torna possível que suas notas ( qualidades) dinamitem, desde dentro, o processo intelectivo..... ( aí vemos o processo de desequilibração, acomodação e sua força tranformadora da própria inteleção enquanto operação de um sistema / estrutura)
O artigo tem muito mais... Peguei só uns dados...
Voltemos ao Franceses
Interessante como Edgar Morin ( sociólogo e pensador francês ) toma o termo noologia (1982 e em 1990 , Science avec conscience) que parece inspirado além de outras idéias em Eucken.
Organisation logique et paradigmatique des choses de l'esprit. Terme par lequel Edgar Morin définit les mécanismes qui englobent toutes les productions propres à l'esprit : rêves, mythes, fantasmes, idées, images, symboles, etc. La noologie est la science des choses de l'esprit apte à concevoir comment et dans quelles conditions culturelles les idées s'assemblent, s'enchaînent, s'agencent les unes les autres, constituant des systèmes qui s'auto-régulent, s'auto-défendent, s'auto-multiplient, s'auto-propagent.
Edgar Morin / no capitulo I ele fala de "3. La noologie : possession " (aí vemos a inspiração citada)
3. LA NOOLOGIE: POSSESSION
... les croyances et les idées ne sont pas seulement des produits de l'esprit, ce sont aussi des êtres d'esprit ayant vie et puissance. Par là, elles peuvent nous posséder.
Nous devons être bien conscients que, dès l'aube de l'humanité, s'est levée la noosphère, sphère des choses de l'esprit, avec le déploiement des mythes, des dieux, et le formidable soulèvement de ces êtres spirituels a poussé, entraîné l'homo sapiens à des délires, massacres, cruautés, adorations, extases, sublimités inconnus dans le monde animal. Depuis cette aube, nous vivons au milieu de la forêt de mythes qui enrichissent les cultures.
Issue tout entière de nos âmes et de nos esprits, la noosphère est en nous et nous sommes dans la noosphère. Les mythes ont pris forme, consistance, réalité à partir de fantasmes formés par nos rêves et nos imaginations. Les idées ont pris forme, consistance, réalité à partir des symboles et des pensées de nos intelligences. Mythes et Idées sont revenus sur nous, nous ont envahis, nous ont donné émotion, amour, haine, extase, fureur. Les humains possédés sont capables de mourir ou de tuer pour un dieu, pour une idée. Encore à l'aube du troisième millénaire, comme les daimons des Grecs et parfois comme les démons de l'Evangile, nos démons " idééls " nous entraînent, submergent notre conscience, nous rendent inconscients tout en nous donnant l'illusion d'être hyperconscients
Deleuze dit que l'"image de la pensée" ( representação, desenho) (32s.), qui est l'objet même de sa philosophie. Celle-ci prend alors le nom de "noologie"..
OS INGLESES
Noology [Gr. nousV, reason, + logoV, theory]: Ger. Noologie; Fr. noologie; Ital. noologia (the equivalents are suggested). Ë a parte da filosofia que trata das " intuitive truths of reason" "verdades intuidas da razão)…;
A term suggested by Sir William Hamilton, Reid's Works, note A, § v, but having no currency. Hamilton probably derived it from Kant (Krit. d. reinen Vernunft, 643). It is used by Crusius for psychology. (J.D.)
Source: Webster's Revised Unabridged Dictionary (1913)
Noology \No*["o]l"o*gy\, n. [Gr. ?, ?, the mind + -logy.A palavra Noology deriva das palavras grega " noos " or " nous " e " logos ". [1] O sentido de ambas é muito similar. "Noos"é o termo que cobre o campo semânticodas palavras de uso colloquial tais como: {"know/ing/ledge" [2] / mind / understanding / intelligence / thinking}.
A palavra " logos " é de um campo muito similar mas inclui o sentidode sistematização e de ordenamento. ( nome do estudo sistemático de vária disciplinas "gi" psicologia , estudo sistemático da mente).... Então Noo-logy aponta para o estudo sistemático e para a organização de tudo que trata de knowing and knowledge ( cnhecer e conhecimento)
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